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sábado, 12 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn (2011)








Nome Original: My Week with Marilyn
Direção: Simon Curtis
Roteiro: Adrian Hodges, baseado nos livros The Prince, The Showgirl and Me e My Week with Marilyn de Colin Clark
Gênero: Drama/ Romance/ Biográfico
Elenco: Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Dougray Scott, Judi Dench, Emma Watson
Distribuição: Paris Filmes
EUA, 2011 (100 minutos)





Sinopse: A musa Marilyn Monroe (Michelle Williams) está em Londres pela primeira vez para filmar "O príncipe encantado". Colin Clark (Eddie Redmayne), o jovem assistente do prestigiado cineasta e ator Laurence Olivier (Kenneth Branagh), sonha apenas em se tornar um diretor de cinema, mas logo viverá um romance com a mulher mais sexy do mundo. O que começa como uma aventura amorosa mudará a vida do ainda inocente Colin e revelará uma das várias facetas de um dos maiores mitos do século XX. [Fonte]


Trazendo talvez uma das melhores atuações da fantástica Michelle Williams, esse filme conta a história de ninguém menos que da musa do cinema, Marilyn Monroe. Williams é bem magra e "reta", mas, de alguma forma extraordinária (utilização de enchimentos), conseguiram deixá-la com o corpo muito parecido com o de Marilyn. E não é só o corpo, mas também o rosto, as expressões, a famosa pinta, os olhos azuis (lentes que parecem olhos naturais), o temperamento, a inocência; tudo que diz respeito a Srta. Monroe está presente aí.
 A índole auto-destrutiva, a eterna descrença em si própria, a dificuldade em amar e se aceitar, o difícil papel de ter que agradar a todos, a bebida, os remédios, a dificuldade em atuar, a ignorância e certa "burrice" a respeito do que é a vida; essas características extremamente presentes em Monroe dificilmente são mostradas por outras fontes, que tendem a idealizá-la. Nesse longa, Marilyn é apresentada em sua essência, como ser humano e não apenas como o maior sex symbol de todos os tempos.
O filme gira em torno de Colin Clark, interpretado pelo excelente Eddie Redmayne, que se apaixonou perdidamente pela atriz-problema. Ao saber que ela iria para Londres fazer um filme com o diretor e ator Laurence Olivier, Colin torna-se assistente do diretor; disposto a qualquer coisa para ficar perto de sua musa. Tão disposto a abrir mão de tudo que vai deixando um romance real com a garota de quem gosta, interpretada por Emma Watson, para viver uma idealização.
Marilyn não era uma pessoa fácil de se lidar, era emocionalmente instável e dependente. Michelle Williams capta essa característica com uma verossimilhança impressionante. Tudo é muito bem feito nesse drama; as atuações, o figurino, a ambientalização. Contudo, não é um daqueles filmes que se vê e revê, é bom para ver uma vez e absorver as coisas boas; já se uma análise formal for feita, deixa um pouco a desejar no conteúdo. No geral, tem um bom roteiro e alguns pontos excelentes, deve ser visto por todos os admiradores de Marilyn Monroe, mas aí vai o aviso, talvez o seu conceito da persona real de Marilyn esteja errado e você possa se decepcionar.
Eu diria até que o conceito de "loira burra" pode ter sido inspirado nela; era toda beleza e sensualidade e quase nada de conteúdo e inteligência. Apesar disso, a atriz tinha um elemento "x", algo que ninguém pode explicar, mas conquistava e ainda conquista a muitos. Bem como diz o personagem de Dominic Cooper em certo momento, ela erra milhões de vezes, mas quando acerta a cena, todos só tem olhos para o quão maravilhosa ela é.
O primeiro amor [platônico] de um jovem, a super valorização de Marilyn, as dificuldades pessoais e um filme que quase não deu certo por displicência da protagonista. A peculiar languidez de Marylin também é mostrada sabiamente por meio da boa direção, de uma ótima protagonista e de um bom roteiro. Um filme muito bom, que infelizmente não teve a devida divulgação no Brasil, mas que vale à pena ser visto.






terça-feira, 17 de abril de 2012

Compramos Um Zoológico (2011)


Baseado em uma história real.





Nome Original: We Bought a Zoo

Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Aline Brosh McKenna e Cameron Crowe
Gênero: Comédia Dramática/Drama
Elenco: Matt Damon, Scarlett Johansson, Elle Fanning, Colin Ford, Thomas Haden Church, Patrick Fugit, Carla Gallo, Desi Lydic, John Michael Higgins, Angus Macfadyen
Distribuição: Fox Film do Brasil
EUA, 2011 (124 minutos)




Sinopse: Do consagrado cineasta Cameron Crowe (Jerry Maguire - A Grande Virada, Quase Famosos), uma história incrível e verdadeira sobre um pai sozinho que decide que sua família precisa recomeçar, então, ele e seus filhos se mudam para um lugar totalmente inesperado: um zoológico. Com a ajuda de uma equipe eclética de funcionários e muitos percalços pelo caminho, a família trabalha para devolver o zoológico dilapidado à sua antiga beleza e glória. [Fonte]


Um pai viúvo que luta para criar seus filhos e tem dificuldades de relacionamento com o mais velho. Desde a primeira cena esse filme conquista pelas atuações verdadeiras e pela simplicidade com a qual uma história tão densa é contada. Há cenas impactantes, como a da briga entre pai e filho e aquela na qual o protagonista interpretado por Matt Damon conta como conheceu a sua esposa.
Trata-se de uma história improvável, mas que aconteceu de verdade. Em busca de respostas, querendo amenizar as saudades insuportáveis da mulher e visando o bem-estar dos filhos, o viúvo Benjamin Mee vai procurar uma nova casa. Acaba encontrando, por meio da filha caçula - a fofíssima Rosie (Maggie Elizabeth Jones), uma casa que parece ser perfeita. Porém, o local é um zoológico abandonado que está sendo mantido pelo governo, e junto com a casa vem toda a responsabilidade de administrar e cuidar de um zoológico.
Benjamin acaba aceitando o desafio, ainda que pareça loucura, principalmente aos olhos de seu irmão. O filho mais velho se revolta com a ideia (aliás um personagem muito bem feito pelo excelente Colin Ford, pequeno no tamanho, imenso no talento) e o relacionamento entre eles fica ainda mais conturbado. Cabe a Benjamin consertar a relação com o filho, educar a filha e ainda reconstruir um zoológico com um dinheiro que não tem.
Trata-se de uma história inspiradora, que realmente segue o princípio de Jerry Maguire - A Grande Virada, e traz lições de vida e de atitudes. A personagem de Scarlett Johansson, a zookeeper Kelly Foster, ajuda em muitos aspectos a superar os obstáculos.
Esse filme emociona em cenas específicas e inspira por um enrendo genuinamente interessante. Apesar de a personagem de Elle Fanning ser um pouco irritante, a garotinha interpretada por ela é excessivamente feliz - um pouco forçada, no geral as atuações são excelentes.
Não é apenas um filme sobre família, animais ou sobre como reerguer-se após uma perda irreparável; é também sobre valores, e aí está a grande sacada do diretor e roteirista Cameron Crowe. Valores quase não são mais transmitidos nos filmes contemporâneos, e esse vale ser visto por tê-los.
Uma cena que marca é quando a personagem de Elle Fanning - Lily Miska - pergunta a zookeeper (Johansson): "O que você prefere, animais ou pessoas?" e Kelly, antes tão apaixonada por animais e sem esperanças na humanidade, após conhecer a família de Benjamin acaba se apaixonando pelas pessoas novamente. É um filme bom, que serve não só para entreter, mas também para inspirar seus espectadores.


quinta-feira, 22 de março de 2012

O Pacto (2011)







Nome Original: Seeking Justice
Direção: Roger Donaldson  
Roteiro: Robert Tannen
Gênero: Suspense/ Ação/Drama
Elenco: Nicolas Cage, January Jones, Guy Pearce, Jennifer Carpenter
Distribuição: Imagem Filmes
EUA, 2011 (105 minutos)








Sinopse: Will (Nicolas Cage) leva uma vida pacífica até o dia em que sua esposa (January Jones) é atacada brutalmente por um desconhecido. Em seguida um estranho (Guy Pearce) aparece oferecendo a Will um plano de vingança com a condição de que o serviço seja retribuído em outra ocasião. O que Will não desconfia é que logo ele será cobrado para pagar a dívida cometendo um crime também. [Fonte]



Que Nicolas Cage não está na melhor fase de sua carreira todo mundo sabe. Depois do fiasco de Motoqueiro Fantasma 2 e do não bem aceito Reféns, Cage encontrou-se em uma encruzilhada mediante à crítica. Filmes como Cidade dos Anjos, Os Vigaristas e Um Homem de Família parecem ter ficado em um passado remoto. Atualmente, quase todos os filmes protagonizados por ele tem história previsível e roteiro mal desenvolvido (ou a quase ausência de roteiro, como em Motoqueiro Fantasma). Contudo, sua capacidade como ator é inegável e não há papel mal interpretado, apenas papeis mal escolhidos.
Em O Pacto a atuação de Nicolas Cage é ótima, o enredo chega até a ser envolvente. O grande problema é que o roteiro é um tanto quanto previsível. Já se sabe pelo trailer o que vai acontecer. Apesar disso, a esposa interpretada por January Jones é uma personagem bem desenvolvida. A maquiagem feita em Jones depois de ter sido atacada é mesmo muito convincente.
O filme transforma um mero professor de inglês em um fugitivo experiente e pronto para qualquer situação, o que está longe de ter qualquer semelhança com a realidade.
Há pontos altos de tensão e ação bem feitos. A presença de Guy Pearce dá um "brilho" a mais ao longa; trata-se de um vilão com personalidade indecifrável. Apesar de não ser tão original, tem cenas boas e a ação é sim presente. É um filme interessante, que permitiu a Cage mostrar mais uma vez que é capaz como ator, mas poderia ser mais bem desenvolvido ou ter um final menos previsível.
Para quem espera um "filmaço" O Pacto pode desapontar, já quem espera um filme razoavelmente bom, não se arrependerá de vê-lo. Uma coisa que chamou a minha atenção é o fato de o nome do filme traduzido para o português já ter sido usado em outro longa (de terror). Falta originalidade na tradução do título e falta aquele "algo a mais". Porém, é um filme bom, bem melhor do que os da atual "safra" de Nicolas Cage.



segunda-feira, 5 de março de 2012

Rango (2011)





Do mesmo diretor de "Piratas do Caribe"



Nome Original: Rango
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Gore Verbinski, John Logan, James Ward Byrkit
Gênero: Ação/Animação
Vozes de: Jonnhy Depp, Isla Fisher, Timothy Olyphant, Abgail Breslin, Alfred Molina
Distribuição: Paramount Pictures
EUA, 2011 (107 minutos - versão estendida: 111 minutos)





Sinopse: Um camaleão-ator da cidade grande é satisfeito com a sua vida, mas após um acidente acaba indo parar em uma cidadezinha no meio do nada. A cidade, chamada Dirt (Poeira, na tradução) guarda um segredo que deverá ser solucionado pelo anti-heroi atrapalhado chamado "Rango".



São impressionantes o carisma e a presença de Jonnhy Depp. Praticamente todos os diretores que trabalham com ele uma vez, acabam por o escalar para suas próximas produções, incluindo Tim Burton. O diretor de "Piratas do Caribe", Gore Verbinski também o chamou, dessa vez para dublar uma animação. Estou certa de que essa animação não deve ter metade da graça em outras dublagens ou línguas, é como se Johnny Depp realmente estivesse atuando, ele faz do personagem uma estrela.
Contemporaneamente, a maioria das animações já não é mais destinada à crianças; Rango é uma delas. Trata-se de um desenho direcionado ao público adulto, que aborda de forma simples e direta assuntos complicados. Ganhou o Oscar de Melhor Animação e o diretor afirmou isso ter sido devido ao fato de existirem muitas semelhanças com os filmes de ação.
As referências aos antigos filmes de Bang-Bang e Faroeste são claras e evidentes e acrescentam algo que foge do recorrente e repetitivo nas animações. Trata-se de um "filme"escuro e com efeitos visuais muito bem feitos, deve-se destacar. É muito mais difícil cuidar da iluminação em desenhos de cores neutras do que em coloridos, e nesse quesito os profissionais dos efeitos visuais nada deixam a desejar.
Uma história interessante e envolvente, com falas e personagens engraçados; isso é o principal de Rango. Um pano de fundo inteligente, mostra o que o ser humano é capaz de perceber quando resolve parar de olhar só para si e passa a querer ajudar os outros. Dentre algumas lições bem traduzidas, é um longa muito bem feito.
É verdade que Tintin tinha mais potencial para ganhar o Oscar e nem ao menos foi indicado, mas Rango é uma ótima animação. É muito boa por dois principais fatores: as genialidades de Depp e Verbinski e pelos ótimos efeitos especiais combinados a um bom roteiro. Esse cameleão fictício é mais envolvente do que muitos personagens de filmes reais.



sábado, 3 de março de 2012

Drive (2011)


File:Drive2011Poster.jpg


Baseado na obre de James Sallis, "Drive"





Nome Original: Drive
Direção: Nicolas Winding Refn
Gênero: Ação/Drama
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Ron Perlman, Oscar Isaac, Albert Brooks
Distribuição: FilmDistrict
EUA, 2011 (98 minutos)











Sinopse: Um piloto profissional trabalha em cenas de perseguição de carros em Hollywood, como dublê. Além disso, ele usa sua habilidade e precisão no volante como motorista em assaltos. Dentro de seu mundo solitário ele conhece a vizinha Irene, cujo marido sairá da prisão em poucos dias. Disposto a ajudar essa família a pagar uma antiga dívida, ele se dividirá entre usar todas as suas habilidades para salva-lá ou embarcar em uma fulminante paixão. [Modificado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Drive_(filme_de_2011)]



Um filme que segue o genêro dos de Quentin Tarantino, com cenas fortes e violentas. Contudo, deixa a desejar no quesito roteiro, possui cenas muito longas e lentas e outras chocantes. Não passou nem perto daquilo que eu tinha esperado e pré-visualizado. No trailer do longa, aparecem as melhores cenas do filme, contudo o enredo em si não traz aquele "algo a mais".
A atuação de Ryan Gosling é excelente e isso deve ser ressaltado. O personagem é construído com cuidado e não possui uma identidade. Fica aí uma dúvida a seu respeito, que vai sendo esclarecida ao longo do filme. Gosling conseguiu mostrar mais uma vez sua incrível capacidade como ator, apesar de não ter tantas falas (é raro ver um protagonista de tão poucas palavras).
O diretor estreante em Hollywood, Nicolas Winding Refn provou ter uma visão diferente e única de como representar uma história. Apesar disso, a lentidão excessiva (quase em câmera lenta) de algumas cenas e a falta de conteúdo no filme deixam muito a desejar. É um absurdo o que alguns críticos vem fazendo ao compará-lo com a genialidade de Martin Scorsese em "Taxi Driver"; a visão de Scorsese nada tem a ver com a de Windind Refn.
É um filme neo-noir, cult por assim dizer. Um bom programa, mas pode deixar os mais fissurados por ação um tanto quanto desanimados e sonolentos ao sair das salas de cinema. Trata-se certamente de um filme de ação diferente, mas não necessariamente um diferente muito bom.
É bom, mas nada de excepcional. Ainda prefiro filmes de ação que realmente seguem o gênero e envolvem o espectador. O final também pode irritar a alguns, apesar de ser original. Se você quer um filme cheio de cenas eletrizantes, esse não é o indicado. Já se o que procura é algo diferente e uma abordagem nova, apesar de ter cenas muito violentas, vale vê-lo. Concorreu no Festival de Cannes e fez espectadores aplaudirem de pé. 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tão Forte e Tão Perto (2011)




"Baseado no livro "Extremely Loud and Incredibly Close" de Jonathan Safran Foer"



Nome Original: Extremely Loud and Incredibly Close
Direção: Stephen Daldry 
Roteiro: Eric Roth e Jonathan Safran Foer 
Gênero: Drama
Elenco: Tom Hanks, Sandra Bullock, Thomas Horn, Max von Sydow, Viola Davis, John Goodman, Jeffrey Wright, Zoe Caldwell
Distribuição: Warner Bros. (EUA), Paramount Pictures (Internacional)
EUA, 2011 (129 minutos)






Sinopse: Oskar Schell é um garoto de dez anos que vive em Nova York com seus pais. Ele passa grande parte de seu tempo com o pai Thomas, que inventou um jogo chamado "Missão de Reconhecimento" e a quem é extremamente próximo. Oscar perde o pai no 11 de setembro de 2001. Enquanto tenta superar a perda, o garoto encontra uma chave no closet do pai, e decide descobrir o seu significado. Querendo encontrar alguma mensagem, desvendar o que a chave pode abrir e de alguma forma ficar mais próximo dele, o menino roda a Big Apple buscando respostas.


Um filme sentimental e cheio de emoções. Caso o espectador esteja fragilizado, é bom evitar a sala de cinema para não cair em prantos. O longa gira em torno do ponto de vista do garoto órfão Oskar Schell, interpretado pelo magnífico estreante Thomas Horn, que após perder o pai (Tom Hanks) no atentado terrorista do 11 de setembro, fica completamente perdido. Ele não mantém um bom relacionamento com a mãe (Sandra Bullock, em um papel interpretado com emoção), que apesar de tentar se aproximar e confortá-lo, parece não conseguir se inserir no minúsculo círculo emocional de Oskar.
O garoto tem problemas emocionais e não sabe como reagir à perda de seu maior amigo e pai. Para uma criança, perder um dos pais pode ser algo traumático e irreparável e com toda a certeza o pequeno Thomas Horn faz a atuação com uma realidade imensa, que comove até o maior dos corações de pedra.
Ele tenta descobrir o que uma chave encontrada acidentalmente no armário do pai significa. A dificuldade em lidar com a morte e a aproximação com várias pessoas diferentes fazem-no pensar em um paradoxo. Ao mesmo tempo em que vai superando seus medos, inclusive o de inteirar com outras pessoas e o de usar o transporte público, ele vai descobrindo que é possível viver após um dano emocional, ainda que seja difícil. Essa descoberta de como lidar com a situação levam-no a começar a encarar a realidade de outra forma.
Viola Davis faz uma pequena participação, mas certamente significativa, repleta de pequenos grandes momentos; ela está no ápice de sua carreira, e isso é certo. Tom Hanks mais uma vez nada deixa a desejar, suas aparições são pequenas porém significativas.
Há quem diga que o melodrama foi usado ao extremo no roteiro e que o diretor Stephen Daldry exagerou no sentimentalismo. Tenho que discordar desses críticos, vejo exatamente o oposto; trata-se de um drama sim, e como manda o gênero o objetivo é emocionar. Contudo, o diretor Daldry executou com excelência um roteiro bem escrito. É claro que dificilmente o longa ganhará o Oscar, mas não será por falta de merecimento, e sim por ter adversários realmente muito bons.
Mostram-se os dramas e os conflitos externos mais profundos vistos por uma criança, e isso é o que traz um tempero especial ao roteiro. Há os momentos de dúvidas e frustrações e certamente toda uma sociedade americana que teve algum parente envolvido nos atentados terroristas foi comovida; mas além desses, conseguiu-se comover todo tipo de espectador.
O ator sueco Max von Sydow também concorrerá nessa noite de Oscar como Melhor Ator Coadjuvante e, apesar de não dizer uma só palavra no filme, sua atuação é maravilhosa, baseada pura e simplesmente nas emoções transmitidas apenas por expressões faciais. Expressar-se sem palavras é irrefutavelmente mais difícil, mas o experiente Sydow mostrou sua incrível capacidade.
Esse é um filme bom, um drama que realmente honra o gênero e mostra a dor de uma perda como algo muito real, que faz-nos parar para refletir. Thomas Horn, que ganhou o Critic's Choice Awards de melhor ator juvenil é realmente uma das novas promessas de Hollywood, tomara que sua carreira continue a brilhar da mesma forma como ele brilhou nesse filme.





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Invenção de Hugo Cabret (2011)




Inspirado no livro de Brian Selznick, "A Invention of Hugo Cabret"



Nome Original: Hugo
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Gênero: Aventura/Drama
Elenco: Asa Butterfield, Chloe Moretz, Jude Law, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen
Distribuição: Paramount Pictures
EUA, 2011 (127 minutos)





Sinopse: Hugo Cabret é um órfão de 12 anos que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo cuida de gigantes relógios do Lugar: escuta seus compassos, observa enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato: ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada Isabelle (Chloe Moretz), cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e um homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível História, que, mistura elementos dos quadrinhos e do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de história numa homenagem inteligente ao cinema mudo e a preto e branco. [Fonte]



O próprio Scorsese aparece em uma cena, no papel de um fotógrafo

Martin Scorsese dirigindo um filme infantil, surpresa número um. Esse mesmo Scorsese colocando elementos fantásticos do próprio cinema como meu adorado filme "Viagem a Lua" de George Méliès e o próprio George Méliès em um único longa; surpresa número dois. A todos é conhecida a genialidade de Scorsese, e isso é indiscutível. Em "Taxi Driver", "Gangues de Nova York", "Ilha do Medo" e diversos outros filmes entende-se e comprova-se que Scorsese é um grande diretor de cinema. O que faz toda a diferença é a atenção dada aos detalhes e a forma única de se fazer cinema, recursos fortemente utilizados por Martin nesse filme.
"A Invenção de Hugo Cabret" é maravilhoso, mostra a essência do cinema. O cinema é tido como uma "fábrica de sonhos", na qual tudo pode se tornar realidade. Conta-se toda a história dos primeiros filmes, passando pelos irmãos Lumière e por George Méliès (personagem do filme, interpretado pelo requisitado e excelente ator Ben Kingsley). Trata-se de uma capacidade de contar as origens do Cinema à todas as idades; atingindo muito bem o público infantil e ainda assim penetrando no intelecto de adultos.
Tendo como pano de fundo a maravilhosa Paris durante o inverno, capturam-se lindas cenas. A fotografia é realmente algo a parte, senti valer a pena o 3D pela boa captura de profundidade e principalmente pelas cenas em que há neve. É um filme inteligente, com uma mensagem muito bem trabalhada e com enredo bem desenvolvido, inserido em lindas imagens.
A atuação do magérrimo Asa Butterfield é algo excepecional; é difícil encontrar atores mirins com tanta capacidade de se expressar e atuar com sinceridade. A garota sonhadora e apaixonada por livros interpretada por Chloe Moretz também é uma ótima personagem, que acrescenta personalidade e leveza ao longa.
O elenco é ótimo, desde coadjuvantes até protagonistas; e a história é realmente bonita. Não é apenas um filme para crianças, mas também não é somente destinado a adultos. Consegue captar a atenção de toda uma gama de espectadores e não deixa a desejar em nenhum quesito. Os efeitos especiais, comandados por um brasileiro são muito bem feitos. Precisamos de mais brasileiros apaixonados por cinema e capazes como esse.
É um filme que, assim como "O Artista", insere-se nesse novo gênero buscado, de explicar as origens do cinema e trazer a metalinguagem para a indústria cinematográfica. Explicar por meio de um filme o que é um filme não é apenas uma arte, é um feitio do qual nem todos são capazes. Martin Scorsese mostrou ser capaz também nesse quesito e, mais uma vez, fez-me admirá-lo. Para quem ainda não foi ver, vá. Vale seu ingresso.





domingo, 19 de fevereiro de 2012

50% (2011)







Nome Original: 50/50
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Will Reiser 
Gênero: Comédia Dramática / Drama
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Anna Kendrick, Seth Rogen, Bryce Dallas Howard, Anjelina Huston
Distribuição: Summit Entertainment (USA) - Imagem Filmes (Brasil)
EUA, 2011 (100 minutos)







Sinopse: Adam tem uma vida regrada, mas de repente começa a sentir dores que mudarão tudo. Ele descobre ter câncer, um tipo raro, que lhe dá 50% de chance de sobreviver. A namorada que não consegue lidar com a doença, o amigo maluco que parece não se importar e a difícil relação com a mãe são mais problemas que ele tem de enfrentar. Para não ter de lidar com tudo sozinho, Adam procura uma psicóloga, a jovem Dra. Katherine, que pode ajudá-lo a ver as coisas sob outra perspectiva.




Como sempre uma ótima atuação de Joseph Gordon-Levitt, que mais uma vez mostra sua versalitidade como ator. Com um roteiro inteligente e uma história muito bem desenvolvida, esse certamente não é só mais um filme sobre o câncer e seu impacto na vida das pessoas. Mostra-se muito bem as adversidades enfrentadas pelo portador da doença e a dificuldade das pessoas que convivem em aceitar e realmente mostrarem se importar com ele.
Trata-se de um protagonista que tem a simpatia do espectador logo no primeiro sorriso; sorriso esse que se mantém em grande parte do filme, apesar dos maus momentos. Todas, ou a maioria das pessoas conhecem os efeitos do câncer e sabem o quanto é difícil lidar com ele. O protagonista Adam vive uma verdadeira encruzilhada, vê tudo desmoronar e começa a se indagar sobre a vida que estava levando. A efemeridade da vida e o fato de tudo mudar diante um problema são fatores muito bem explorados.
Uma fala do filme realmente me tocou, quando a psicóloga Katherine (interpretada pela fofa Anna Kendrick) diz a Adam que ele está sendo um idiota e que as pessoas não vão deixar de ser quem são (no caso a sua mãe, com quem o relacionamento não vai bem) e que o que tem de mudar é o modo como ele as vê e reage. Conviver em sociedade já é difícil, que dirá se você tem uma doença tão temida e é tido como "coitadinho", mas na verdade um coitado com que muitos poucos realmente se importam.
O amigo aparentemente estúpido interpretado por Seth Rogen traz um algo a mais ao longa e, na verdade, esse mesmo Seth Rogen (produtor do filme) passou por essa situação de verdade, quando seu amigo (que inspirou o filme) teve câncer. Entende-se aí que as pessoas que às vezes não parecem se importar, na verdade o fazem, ainda que não saibam exatamente como demonstrar.
A química entre Joseph Gordon e Anna Kendrick é evidente e eles formam um casal pelo qual se torce. O fato de ela apoiar e ajudar a ele, ainda que tenha acabado de tê-lo conhecido e esteja fazendo o seu trabalho são relevantes. As ações dela enquanto nova doutora vão diretamente contra as atitudes do médico de Adam, que é frio e distante, como quase todos os médicos são atualmente.
Trata-se de um filme perspicaz e engraçado, que mostra todos os lados de uma doença, da visão de quem a enfrenta. Porém, ironicamente, não deprime o espectador; ao contrário, o faz ver a vida com mais humor e menos preocupação. Ilustra perfeitamente que tudo tem uma razão de acontecer e que deve-se sempre tirar proveito do que ocorre, ainda que pareça o fim da linha. Uma reta que se preze não tem fim, e não se pode ceder sem enxergar as coisas como integrantes de um todo. Recomendo fortemente.



Cada um Tem a Gêmea que Merece (2011)

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Nome Original: Jack and Jill
Direção: Denis Dugan
Roteiro: Steve Koren, Robert Smigel, Ben Zook
Gênero: Comédia
Elenco: Adam Sandler, Katie Holmes, Al Pacino
Distribuição: Sony Pictures
EUA, 2011 (91 minutos)








Sinopse: O calmo Jack tem sua vida tranquila e uma linda família. Contudo, tem uma irmã gêmea que mora em outra cidade e o visita sempre no Dia de Ações de Graças (Thanksgiving). A irmã idêntica promete colocar tudo de pernas pro ar e testar a sua paciência durante uma estadia prolongada.



Mais um filme de Adam Sandler. Como era de se esperar, uma comédia com o já passado humor de sempre, só que dessa vez, Sandler resolveu fazer dois papéis. Ele interpreta Jack e a irmã gêmea Jill. Não se deve esperar nada de novo (até mesmo partes do elenco são as pessoas usuais dos filmes de Sandler) e quem não gosta do humor repetitivo de Adam Sandler não verá seu ingresso valer à pena. Ver o protagonista vestido de mulher é engraçado, mas não hilário.
Não que o filme não seja interessante e engraçado, ele de fato é. O que cansa um pouco o espectador é ver sempre as mesmas caras e bocas do protagonista, que aqui aparece em dose dupla. Em "Como se Fosse a Primeira Vez" e em "Click" (na minha opinião duas das boas comédias de Adam), Drew Barrymore e Kate Beckinsale, respectivamente, "quebram" um pouco o estrelismo de Adam Sandler e trazem um algo a mais. Já em "Cada um Tem a Gêmea que Merece", a esposa interpretada por Katie Holmes é acessório no filme, não traz nenhuma atuação ou participação relevantes. A participação de Al Pacino e a pequena aparição de Johnny Depp ao menos renovam o pano de fundo do longa.
A comédia arranca boas risadas, porém é o conhecido riso "à toa", que não acrescenta grandes lições de vida. As cenas contudo, foram muito bem gravadas. Em especial a em que os gêmeos pulam corda juntos, onde o fundo permanece exatamente o mesmo, luz e movimento aí incluídos. Não se pode dizer que é um ótimo filme, mas é bom; quebra o galho de entreter como sessão da tarde.
Apesar de não trazer nada de novo, faz o espectador rir e entretém. Todavia, sabe-se muito bem que a importância e a beleza do cinema vão muito além disso. Nesse quesito, Adam Sandler deixa a desejar. Onde estão as comédias que fazem pensar com riso moralizante ou os filmes mais sérios de sua carreira? No momento, em um passado remoto. Espero que esse passado torne-se presente e a carreira de Sandler continue a ascender, mas de maneira séria e inteligente, uma vez que seu talento existe e deve ser explorado.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas (2011)

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Baseado no Best-Seller do The New York Times "The Help", de Kathryn Stockett



Nome Original: The Help
Direção e Roteiro: Tate Taylor
Gênero: Drama
Elenco: Viola Davis, Emma Stone, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Allison Janney, Bryce Dallas Howard
EUA 2011 (146 minutos)






Sinopse: Baseado em um dos livros mais badalados há anos e fenômeno n°1 em vendas de todos os tempos do New York Times, "Histórias Cruzadas" mostra três diferentes mulheres extraordinárias no Mississipi durante os anos 60 que constroem uma improvável amizade devido a um projeto literário secreto que abala as regras da sociedade, colocando-as em perigo. De sua improvável aliança surge uma incrível irmandade, criando em todas elas a coragem para transcender os limites que as definem e a conscientização de que às vezes esses limites existem para serem ultrapassados, mesmo que isso signifique fazer com que todas as pessoas da cidade encarem os novos tempos. Intensa, cheia de pungência, humor e esperança, "Histórias Cruzadas" é uma história eterna e universal sobre a capacidade de criar mudanças. [Fonte]



Como já diz o mote do filme, "Um ato de coragem pode transformar tudo". A jovem Eugenia "Skeeter" Phelan acaba de se formar na faculdade, coisa que não muitas mulheres faziam na década de 60, e volta para a casa dos pais para procurar um emprego. Contudo, o que move a protagonista é um sonho, o desejo de tornar-se jornalista e escritora. Ela descobre, ao retornar, que a empregada e babá negra que a criou, Constantine (interpretada pela excelente Cicely Tyson), foi embora.
A garota consegue um emprego em um jornal local, para escrever sobre utilidades domésticas, respondendo a cartas de leitoras. Resolve então, perguntar a uma amiga se a empregada doméstica dela pode ajudá-la a escrever a coluna, uma vez que ela não tem muita experiência. A colega aceita e Eugenia aproveita a "brecha" para dizer a doméstica Aibileen Clark (um papel fantástico de Viola Davis) seu desejo de escrever um livro sobre o ponto de vista daquelas que ajudam, as empregadas negras da época. A princípio Aibileen fica com medo, já que o preconceito reinava nas ruas dos EUA durante esse período, mas depois decide ajudá-la. As duas têm de se encontrar escondidas, de modo a ninguém suspeitar do contato entre uma moça branca com uma negra, o que era proibido, acredite você nesse absurdo, por lei.
Eugenia tem uma conhecida extremamente preconceituosa, Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard); que acreditava ser sua amiga até começar a perceber o ódio de Hilly no que diz respeito aos negros. Skeeter, que não tem preconceitos e teve como verdadeira mãe a empregada negra que a criou, não admite a posição dela. A empregada de Hilly, Minny Jackson (interpretada pela excelente Octavia Spencer), é despedida por usar o banheiro de dentro da casa. O absurdo mora aí, Hilly não acha correto que as negras usem o mesmo banheiro das brancas, temendo que elas lhes passem "doenças de negros".
Após perder o emprego, Minny resolve ajudar no livro, contando também suas experiências como empregada. A amiga inseparável Aibileen arruma-lhe um emprego na casa de Celia Foote(a maravilhosa Jessica Chastain), que acaba sendo uma patroa diferente de todas as outras, que realmente ama e respeita sua criada, além de não ter medo de admitir que precisa dela.
Essa encruzilhada de manter segredo e agir contra a lei não é problema para as corajosas Skeeter, e principalmente, Aibileen e Minny. O temperamento agressivo de Minny, que é sua resposta a todas as injustiças que já sofreu e a dor profunda de Aibileen, que perdeu o único filho, trazem comoção e uma realidade ao filme, que o tornam extremamente verossímel.
É um filme maravilhoso, com 4 indicações ao Oscar, nas categorias de: Melhor Filme, Melhor Atriz (Viola Davis) e Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer e Jessica Chastain). Trata-se não somente de um drama que provavelmente te arrancará algumas lágrimas e comoverá de forma pura, mas também de uma crítica muito bem feita ao racismo. É incabível que tal sentimento tão horrível e odioso tenha feito parte do nosso mundo por tanto tempo.
Vale o ingresso e, acima disso, deve ser visto por não ser apenas mais um filme sobre o preconceito; todavia, é um longa que penetra no íntimo desse sentimento e mostra o quão absurdo ele é, mas de uma persperctiva diferente. Trata-se da persperctiva de quem sofre o racismo, e não apenas de quem o pratica.
Viola Davis está maravilhosa, talvez no melhor papel de sua vida. Realmente "Histórias Cruzadas" não tem só fama de filme bom, o é de fato.


Trailer

domingo, 29 de janeiro de 2012

Millenium - Os homens que não amavam as mulheres (2011)







Nome Original: The Girl with the Dragon Tattoo
Direção: David Fincher
Gênero: Suspense
Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer
Distribuição: Sony Pictures
EUA, 2011 (152 minutos)










Sinopse: Depois de perder um processo por difamação e ver sua credibilidade abalada, o jornalista Mikail Blomkvist é contratado por um velho magnata da indústria para investigar o desaparecimento de sua neta, que sumiu há mais de 40 anos. Em sua busca, ele é ajudado pela jovem hacker Lisbeth Salander, uma "outsider" com habilidades excepcionais de investigação. Nova adaptação do best-seller homônimo, primeiro livro da série "Millenium", do escritor sueco Stieg Larsson. [Fonte]




Com direção de David Fincher e estrelando Daniel Craig e Rooney Mara (protagonista estreante e já indicada ao Oscar de Melhor Atriz, muito merecidamente) o filme já começa bem pela excelente, apesar de ser um tanto quanto peculiar, abertura. Ainda não assisti ao filme sueco, de mesmo nome em português, que inspirou a esse e trouxe Noomi Rapace no papel da jornalista punk-esquisita Lisbeth.

A tensão do filme é aliviada pelo carisma de Craig e pela muito boa atuação de Mara, que em certos momentos choca e em outros até arranca risadas. Há sim cenas chocantes, deve-se dizer para os que não gostam desse tipo de exposição, mas com certeza essa foi a intenção do diretor, a de mostrar por meio do chocante o alerta principal do filme.
A atuação do excelente Christopher Plummer, ainda que secundária (coadjuvante), também é indispensável.

É um longa que vale à pena pagar o ingresso, o enredo é bem desenvolvido, sem floreios mas também sem ir logo direto ao ponto. As suspeitas do espectador pairam no ar, mas só é revelado o(a) culpado(a) e quem é quem no final. Não direi para não ser estraga-prazeres. Mas tal filme certamente prova que esse ano promete grandes estreias e ótimas atuações, mas prova também que o Oscar não tem mais toda a credibilidade de antes, onde um razoável George Clooney (que é veterano) concorre a Melhor Ator e a estreante Rooney Mara concorre a Melhor Atriz e, apesar disso, pelos comentários, ele deve ganhar e ela não. Trabalhos muito bons como parece ser o de DiCaprio em J. Edgar não reconhecidos e outros não tão ótimos, excessivamente exaltados.




Maiores Informações:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Descendentes (2011)







Nome Original: The Descendents
Direção:Alexander Payne
Gênero: Drama
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Matthew Lillard
Distribuição: Fox Films
EUA, 2011 (117 minutos)








Sinopse: Matt King é um marido indiferente e pai de duas meninas, que é forçado a reexaminar seu passado e abraçar seu futuro depois que sua esposa sofre um acidente de barco em Waikiki. O trágico acontecimento acaba por aproximar Matt das filhas, o que o ajuda na difícil decisão de vender um terreno herdado da família. [Fonte]



O que dizer de um filme que esperei quase um mês para assistir e fui a pré-estreia esperando tanto e não é lá tudo isso? George Clooney, em um papel de homem de família e pai, tentando não deixar o mundo desabar ao seu redor. Contudo, apesar da indicação ao Oscar e de um Golden Globe ganho, não foi uma atuação tão comovente e convicente quanto "Amor sem Escalas". Lá sim, o papel dele foi cheio de emoção e teve uma mudança significativa na vida do personagem.

Já em "Os Descendentes", que estreiará nessa sexta-feira e já está em pré-estreia em alguns cinemas, o enredo segue a vida de um pai, Matt King, que não dava tanto valor à sua família, especialmente à esposa. Quando ela bate a cabeça em um acidente com lancha e fica em coma, esse pai ausente tem de tomar as rédeas da família e cuidar das duas filhas. A pequena, ele não sabe exatamente como lidar e a mais velha é toda problemática. Além disso, Matt descobre que a mulher o estava traindo e ainda tem de pensar na venda de um terreno, o último pedaço virgem de terra do Havaí herdado da família.
Chatices à parte, genealogias desnecessárias que dão nome ao filme; não há mudança na vida do protagonista, nem uma grande união com suas filhas. A filha maior, interpretada (aí sim) muito bem pela ótima Shailene Woodley, e o pai são os papeis principais; já a presença da pequena que não tem muita noção da situação e do amigo debilóide Sid (Nick Krause) são dispensáveis.
Não superou nem chegou perto das minhas expectativas. O Havaí é lindo sim, e se não fossem as belezas do lugar para enfeitar o filme, não sobraria muito conteúdo. É um filme meio depressivo, que não te leva a repensar a vida, por esperar o tempo todo que algo vai acontecer, e no fim, nada que você não soubesse que aconteceria acontece. A atuação de Clooney é boa, deve-se dizer, mas não é tão excelente assim, como a de Colin Firth, vencedor do Oscar de Melhor Ator por O Discurso do Rei pelo papel emocionante do Rei George VI, que sofria de gagueira. A conexão da história não é tão palpável e há atitudes dos personagens meio "nobre" demais, já outras muito desumanas. Não será a estreia do ano, isso é certo. E se for escolher entre Tintin e Os Descendentes, fico com Tintin, que aliás, não foi indicado para o Oscar.

Maiores informações: http://www.imdb.pt/title/tt1033575/

Um Dia (2011)







Nome Original:One Day

Direção: Lone Scherfig
Roteiro Adaptado: David Nicholls 
Gênero: Drama/Romance
Elenco:Anne Hathway, Jim Sturgess, Tim Mison, Romola Garai, Jodie Whittaker
Distribuição:Paramount Pictures
EUA e Inglaterra, 2011 (108 minutos)







 Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley conheceram-se em uma noite de bebedeira da última noite de faculdade. O que poderia ser apenas um caso amoroso, tornou-se uma amizade profunda e verdadeira, que resiste por anos. Mostram-se os próximos vinte anos da vida deles, sempre no dia em que se conheceream, 15 de julho. Roteiro adaptado pelo escritor do livro homônimo, David Nicholls. Certamente não é só mais um romance dramático.




Assisti essa semana ao filme Um Dia, depois de ter lido o livro de mesmo nome do autor David Nicholls. Pela primeira vez na vida, vi um roteiro adaptado que fez jus ao livro, tão bom quanto. Nicholas Sparks é um escritor que vale muito à pena ler as obras, já ver filmes como Querido John decepcionam, a protagonista é o oposto do descrito no livro e o final é outro. Já em Um dia, o roteiro em sua maior parte segue muito bem o enredo da história, e o modo como conseguiram reduzir 408 páginas para 1h47min de filme é incrível.
Anne Hathway como sempre linda e excelente atriz. A personagem Emma Morley não poderia ter sido interpretada por outra pessoa. E Jim Sturgess com uma atuação impecável e trazendo charme ao personagem Dexter Mayhew. No livro sente-se muito mais raiva dele do que no filme, é impossível não amar Jim Sturgess.
O filme conta a história de Dexter e Emma que se conheceram na noite de formatura no ano de 1988 e mostra a amizade dos dois e o laço emocional que os uniu pelos próximos 20 anos. Os personagens são muitos humanos e não caricatos. Bem como o livro, a realidade é confundida com a ficção em alguns momentos.
Há quem diga que "odiou" o final e, verdade seja dita, ele é realmente trágico. Mas se você prestar atenção e tiver lido o livro antes, já durante a leitura é possível prevê-lo. Eu não teria dado final diferente, porque não se trata de tragédia e sim do que acontece na vida, nem tudo é perfeito, dá sempre certo e tem um final feliz.

A última cena do filme é linda e a ambientação e figurino seguem piamente às épocas e momentos históricos. Fiquei muito brava com críticos infelizes que disseram ser o sotaque de Anne "muito forçado"; é bem condizente com o apresentado no livro. 
O dia é sempre o de 15 de julho, que na Inglaterra é o dia de São Swithin, existe uma tradição que se chover nesse dia, choverá pelos próximos 40. Não à toa esse é o pano de fundo, de certa forma tudo o que acontece na vida dos dois protagonistas nesse dia rege não somente os próximos quarenta dias, mas todo o ano que virá.
Achei um filme maravilhoso, que mostra uma das maiores e mais sinceras formas de amor, a amizade. A amizade é o que mantém as pessoas unidas, mesmo através de muito tempo de de grandes decepções, tudo é superado por ela.


Sinopse, Elenco e Ficha Técnica: 

Livro:

Trecho do Livro:


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim (2011)




Nome Original: The Adventures of Tintin
Direção: Steven Spielberg
Gênero: Animação
Vozes de Jamie Bell, Simon Pegg, Andy Serkis, Nick Frost, Mackenzie Crook, Daniel Craig, Toby Jones, Gad Elmaleh. Distribuição: Sony Pictures
EUA, 2011 (107 minutos)






Sinopse: 'As Aventuras de Tintim' segue o ávido e insaciável jovem repórter Tintim (Jamie Bell) e seu leal cachorro Milu a partir do momento em que eles descobrem que o modelo de um antigo navio contém um segredo explosivo. Atraído pelo mistério centenário, Tintim se vê na mira de Ivan Ivanovitch Sakharin (Daniel Craig), um vilão diabólico que crê que Tintim roubou um tesouro valioso ligado a um velho pirata cruel chamado Rackham, o Terrível. Com a ajuda de seu cachorro, Milu, do mordaz e resmungão Capitão Haddock (Andy Serkis) e dos atrapalhados detetives Dupond & Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), Tintim percorrerá meio mundo, sendo mais esperto e mais rápido que seus inimigos, numa perseguição vertiginosa atrás da localização exata de onde teria afundado O Licorne, um galeão naufragado que pode conter a chave de uma imensa fortuna… e de uma antiga maldição. Dos mares revoltos às areias dos desertos norte-africanos, cada reviravolta arrasta Tintim e seus amigos a níveis mais fortes de emoções e perigos, demonstrando que quando alguém se arrisca a perder tudo, não há limites para o que você é capaz de fazer. [Fonte]





Para mim, essa foi uma das estreias mais esperadas e finalmente vi o 3D fazer diferença. Eu dormia sempre assistindo aos desenhos de Tintin quando criança e, de certa forma, voltei à infância por algumas horas. O filme-animação, brilhantemente dirigido por Steven Spielberg e digitalmente feito por Peter Jackson, não deixa nem mesmo um vento escapar da perfeição. Spielberg e Jackson pediram dicas ao amigo "Jim" (James Cameron, diretor de Titanic e do esplêndido Avatar) e conseguiram superar os padrões digitais de animação.
Apesar de Tintim ter ficado um pouco diferente dos desenhos originais de Hergé, os demais personagens assemelham-se em muito. Já ganhou o Golden Globe de melhor animação, superando o popular "Gato de Botas" e Spielberg recebeu
 o troféu com entusiasmo merecido.
É claro que não foi exatamente uma animação feita para crianças, já que o capitão Haddock bebe durante todo o longa e só é são quando não está sóbrio ironicamente. Além disso há a presença de armas e tiroteios, tudo muito "desvirtuado". Mas como quase todo bom adulto gosta desse tipo de trama, Tintim não desaponta os expectadores mais velhos. E, verdade seja dita, os quadrinhos do belga Hergé retratavam esse tipo de atitude da mesma forma da animação, a diferença é que esta é mais real.
Spielberg afirmou ter dirigido como faria em um verdadeiro filme de ação, e não como mais um desenho digital. Isso, com toda a certeza, foi o que realmente fez a diferença. A trilha sonora de John Williams também ajuda em muito e o modo como algumas tomadas (duas em especial) são feitas leva-nos a pergunta: "Como isso pode ser tão perfeito?". E assim é, em breve os desenhos digitais assemelharão-se tanto à vida real quanto os próprios filmes.


Maiores informações sobre o filme:


Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras (2011)




 
Nome Original:Sherlock Holmes: A Game of Shadows
Direção: Guy Ritchie 
Roteiro: Kieran Mulroney e Michele Mulroney
Inspirado na obre de Sir Arthur Conan Doyle
Gênero: Ação/Suspense
Elenco:  Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry, Paul Anderson, Kelly Reilly

Distribuição: Warner Bros. (Estados Unidos)
EUA, 2011 (129 minutos)









Sinopse: Ao investigar o assassinato do príncipe da Áustria, Sherlock Holmes, o maior detetive do mundo, e seu amigo e associado Dr. Watson enfrentam o perigoso mestre do crime, Professor Moriarty, com a ajuda do irmão do investigador, Mycroft Holmes e de uma cigana romena chamada Sim. [Fonte]





Assisti hoje, na fantástica sala XD (Extreme Digital) do Cinemark a "Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras". Os efeitos visuais são excelentes e em nada deixam a desejar. De certa forma, esquece-se por um momento de que o ano retratado é o de 1891 e não o de 2050. A tecnologia utilizada e as tomadas realizadas com perfeição assim como no primeiro filme fazem a continuação encaixar-se dentre a maior parte das expectativas.
O humor, que se reflete pela atuação brilhante de Robert Donwey Jr. e a também ótima performance de Jude Law, como Sherlock Holmes e John Watson, respectivamente, mantêm a ação, mas de uma forma mais "leve". O figurino é muito bom, retratando (esse sim) a época com exatidão.
O que chocou-me, de certa forma, foi a retirada da excelente Rachel McAdams e a continuação de Kelly Reilly como a sonsa Mary. Watson poderia ter arranjado alguém, digamos, mais perspicaz. Contudo, a atuação de Stephen Fry traz ainda mais humor à trama. A presença da atriz Noomi Rapace como a cigana Simza foi essencial. A química entre ela, Sherlock e Watson é visísel e não exatamente óbvia.
Como já esperado, o professor Moriarty revela sua sede de destruição e tem sua face finalmente revelada. Cabe assim, ao maior personagem-detetive da história a detê-lo, e é claro, só poderá fazê-lo na companhia do melhor amigo, Watson.
Um filme bom, com cenas de ação e efeitos ótimos. De certa forma, não lhe permite piscar, tamanha a concentração em uma trama que vai se desenrolando antes mesmo que o espectador pense muito.
Trata-se de um tempo bem gasto, que passa rápido e ainda traz muita diversão à uma tarde de férias de janeiro.

  Trailer Oficial


Mais informações sobre elenco e ficha técnica em: