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domingo, 29 de abril de 2012

Sonhos de um Sedutor (1972)







Nome Original: Play it again, Sam
Direção: Herbert Ross
Roteiro: Woody Allen
Gênero: Comédia/ Romance
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts
Distribuição: Não definida / Estúdio: Paramount Pictures
EUA, 1972 (85 minutos)







Sinopse: Um neurótico escritor, apaixonado por cinema, tenta superar o divórcio que não consegue aceitar. A solução encontrada é namorar de novo, sair e conhecer novas mulheres, com a ajuda de um casal amigo e de seu alter-ego, Humphrey Bogart. 




Mais um clássico de Woody Allen com a excelente Diane Keaton, bem como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ("Annie Hall" - 1977). Sempre que assisto a um filme de Allen, fico impressionada com a sua capacidade em fazer o espectador refletir, ainda que este não o perceba. Seus filmes, em sua imensa maioria, são inteligentes e bem construídos, além de terem um humor irônico que só Woody Allen consegue trazer.
Dessa vez em um personagem muito bem construído, Woody Allen interpreta Harry, um homem neurótico e no mínimo estranho, que acabou de ser abandonado pela esposa. Tudo o que Harry conhecia era a vida de casado e não consegue entender porque a mulher o abandonou. Um casal de amigos tenta ajudá-lo, empurrando-o para encontros desastrosos, nos quais Harry sempre coloca tudo a perder por sua ansiedade e seu jeito bizarro de ser. Sua grande obsessão é o filme Casablanca, e imagina o tempo todo Humphrey Bogart conversando com ele, dando-lhe conselhos.
Uma coisa que admiro muito nos filmes de Woody Allen é a capacidade de transmitir ideias complicadas com uma clareza singular. Outro fator que o diferencia de qualquer outro roteirista é o de transmitir os pensamentos de seus personagens, trata-se de um recurso do teatro levado para o cinema. E, por sinal, Sonhos de um Sedutor é inspirado em uma peça do próprio Woody Allen.      
A atuação de uma ainda bem jovem, porém experiente, Diane Keaton traz certo brilho e leveza ao filme. Allen e Keaton trabalham muito bem juntos, complementam-se verdadeiramente na atuação. Os delírios de Harry são hilários, impossível não rir ao vê-lo se imaginando como um galã.
Não é um filme comum, e certamente não é corriqueiro um homem querer que sua vida ocorra como Casablanca, um filme clássico mas com final inesperado. Normalmente o homem-protagonista quer ficar com a garota, acima de ser um heroi e salvar o dia; nesse caso é o contrário.
Trata-se de uma comédia de curta duração, mas de história muito bem desenvolvida, indo contra a Hollywood atual, em que muitos filmes não passam de "enrolação" e poderiam ter seu tempo diminuído pela metade.
Para quem aprecia a genialidade de um dos diretores mais diferentes de todos os tempos, Sonhos de um Sedutor não pode deixar de ser visto. E para aqueles que ainda não entendem tal genialidade, deve ser conferido; talvez seja possível enxergar um pouco como Woody Allen é inteligente e consegue transmitir isso sem grandes esforços. É bom usar o feriado para assistir filmes antigos e entender mais sobre o verdadeiro cinema.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Cada um Tem a Gêmea que Merece (2011)

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Nome Original: Jack and Jill
Direção: Denis Dugan
Roteiro: Steve Koren, Robert Smigel, Ben Zook
Gênero: Comédia
Elenco: Adam Sandler, Katie Holmes, Al Pacino
Distribuição: Sony Pictures
EUA, 2011 (91 minutos)








Sinopse: O calmo Jack tem sua vida tranquila e uma linda família. Contudo, tem uma irmã gêmea que mora em outra cidade e o visita sempre no Dia de Ações de Graças (Thanksgiving). A irmã idêntica promete colocar tudo de pernas pro ar e testar a sua paciência durante uma estadia prolongada.



Mais um filme de Adam Sandler. Como era de se esperar, uma comédia com o já passado humor de sempre, só que dessa vez, Sandler resolveu fazer dois papéis. Ele interpreta Jack e a irmã gêmea Jill. Não se deve esperar nada de novo (até mesmo partes do elenco são as pessoas usuais dos filmes de Sandler) e quem não gosta do humor repetitivo de Adam Sandler não verá seu ingresso valer à pena. Ver o protagonista vestido de mulher é engraçado, mas não hilário.
Não que o filme não seja interessante e engraçado, ele de fato é. O que cansa um pouco o espectador é ver sempre as mesmas caras e bocas do protagonista, que aqui aparece em dose dupla. Em "Como se Fosse a Primeira Vez" e em "Click" (na minha opinião duas das boas comédias de Adam), Drew Barrymore e Kate Beckinsale, respectivamente, "quebram" um pouco o estrelismo de Adam Sandler e trazem um algo a mais. Já em "Cada um Tem a Gêmea que Merece", a esposa interpretada por Katie Holmes é acessório no filme, não traz nenhuma atuação ou participação relevantes. A participação de Al Pacino e a pequena aparição de Johnny Depp ao menos renovam o pano de fundo do longa.
A comédia arranca boas risadas, porém é o conhecido riso "à toa", que não acrescenta grandes lições de vida. As cenas contudo, foram muito bem gravadas. Em especial a em que os gêmeos pulam corda juntos, onde o fundo permanece exatamente o mesmo, luz e movimento aí incluídos. Não se pode dizer que é um ótimo filme, mas é bom; quebra o galho de entreter como sessão da tarde.
Apesar de não trazer nada de novo, faz o espectador rir e entretém. Todavia, sabe-se muito bem que a importância e a beleza do cinema vão muito além disso. Nesse quesito, Adam Sandler deixa a desejar. Onde estão as comédias que fazem pensar com riso moralizante ou os filmes mais sérios de sua carreira? No momento, em um passado remoto. Espero que esse passado torne-se presente e a carreira de Sandler continue a ascender, mas de maneira séria e inteligente, uma vez que seu talento existe e deve ser explorado.